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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Relato de Ações do Grupo de Voluntariado da APASM no Âmbito da Câmara Temática de Montanhas (CT-Montanhas) do CONAPAM



Data: 25/07/2019
Evento: Mutirão para Manejo de Trilhas
Local: Pico dos Marins

O esforço contou com a participação de voluntários, brigadistas, equipe de manejo de trilhas do Parque Nacional do Itatiaia (PNI) e moradores da região. Foram escolhidos três trechos distintos de acesso ao Pico do Marins, são áreas alagadas (charco), bastante impactadas pelo forte pisoteio dos caminhantes e que acabam por pressionar faixas marginais de córregos.

A atividade se iniciou com a distribuição dos presentes em 3 equipes distintas, de quatro a seis pessoas. Cada um dos grupos continha pelo menos um voluntário que passou por capacitação específica durante Curso de Manejo de Trilhas, realizado em 2018, para representantes do Mosaico de Unidades de Conservação da Serra da Mantiqueira.

O grupo maior, composto basicamente pela equipe de manejo de trilhas do PNI e dois guias experientes da região, tinha como objetivo dar continuidade ao trabalho iniciado no dia 14/06, que consistia na implementação de uma passagem de pedras na área conhecida como Charco, situado nas coordenadas geográficas 22°29'40.11"S e 45° 7'8.20"O, e que, de acordo com o Plano de Manejo da APASM (Portaria ICMBio 1046/2018), localizado em Zona de Conservação da Vida Silvestre - ZCVS.

Equipe procurando blocos de pedras para utilização nos trechos úmidos.
Região do Charco -  Pico dos Marins.
 

A larga experiência da equipe de manejo de trilhas do PNI nesse tipo de situação foi imprescindível para o sucesso do trabalho. O repasse desse conhecimento aos guias é fundamental para que a atividade seja continuada de forma independente e ao longo de todo o ano, já que a visitação no local vem aumentando significativamente nos últimos anos e a vegetação vem sendo bastante pressionada.

Os outros dois grupos menores, compostos basicamente por brigadistas e voluntários, concentraram as ações de manejo na porção mais inicial da trilha de acesso ao “Morro do Careca”, onde realizaram diversas intervenções tendo como principal objetivo o melhor direcionamento da água do escoamento superficial, minimizando assim impactos no leito da trilha, que se localiza em Zona de Uso Restrito  - ZUR, segundo o Plano de Manejo da APASM.

Trechos da trilha onde foram implantados piso utilizando rochas da região,
A medida ajuda a evitar impacto de pisoteio nas áreas mais sensíveis da trilha.

Esse trabalho contou com o apoio da Fazenda Saiqui, que disponibilizou toda a madeira de eucalipto utilizada no trabalho, assim como também com a equipe de funcionários do Refúgio Base do Marins que deu apoio especial com a alimentação para toda a equipe.

Por fim, entende-se que há necessidade de continuidade nas ações de manejo ao longo das trilhas, preferencialmente nos locais mais utilizados no dia a dia, especialmente durante a temporada de montanha. Ressalta-se que as próximas ações de mutirão devam ser realizadas em outras trilhas da APA, preferencialmente na subida do Pico do Itaguaré, ou no Capim Amarelo, principal acesso utilizado para a travessia da Serra Fina que vem sendo também bastante pressionado.

Os proprietários vizinhos ao local vêm demonstrado forte interesse em apoiar as atividades, já que conjuntamente com a APASM se sentem mais apropriados quanto a problemática, evitando transtornos futuros.

Brigadistas do PNI e da APASM, trabalhando para direcionamento lateral da água,
ao longo da estrada de acesso. 



Data: 01/08/2019
Evento: Organização dos livros de cume
Local: Casa da Cultura,  município de Passa Quatro (MG)

Na reunião dos voluntários tirou-se as seguintes determinações:

1) O livro de cume do Pico do Marinzinho deverá ser padronizado da mesma maneira que os do Marins, Itaguaré, Capim Amarelo, Pedra da Mina e Três Estados. Decidiu-se confeccionar mais 10 livros para o Marinzinho.

2) A partir da próxima leva de livros, eles deverão vir com uma numeração e campos com as datas de colocação e de troca, para cada livro, além do nome do voluntário responsável pela troca do livro, já que nem sempre isso é feito pelo mantenedor.

3) Formato padrão para as caixas de armazenamento. Ficou definida a instalação de 3 (três) novas caixas: No Marins (uma vez que a de lá está muito pequena e fácil de molhar o material), Marinzinho e Três Estados.

4) Determinou-se voluntários para: fazer um levantamento dos custos e construção das caixas, e levantar recursos para a compra de material (através de campanhas, doações, etc).

5) Foram definidos os mantenedores e responsáveis pela troca de livros de cume.

6) Quanto a sistematização dos dados dos livros, existe uma pendencia (que já vem sendo resgatada por voluntário) relativa ao livro de 2018 da Pedra da Mina, e a partir de então a padronização decidida será incorporada nos novos livros. Serão construídas novas planilhas, que incluam os dados das trocas dos livros e outros, com a apresentação dos resultados obtidos para fins de políticas
públicas locais que justifiquem propostas de conservação para a região.

7) Uma visita técnica na trilha de acesso ao Pico do Itaguaré está sendo planejada para a data de 14 ou 15 de agosto, com a finalidade de quantificar o material necessário para o manejo, e conversar com parceiros em busca de doação de material. Posteriormente deverá-se definir data para ação de manejo nesse trecho, possivelmente 2 dias.

8) Quanto ao formulário de preenchimento que vem sendo construído pela CT-Montanhas, foi muito discutido como será feito sua divulgação, principalmente junto às redes sociais, assim como o trabalho realizado pelos livros cume.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Publicação do ICMBio Destaca Trabalho Conjunto APASM/PNI de Formação das Brigadas Voluntárias de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais a ser Apresentado na Wildfire 2019



O fascículo de número 524 da publicação ICMBio em Foco, apresenta matéria que trata do trabalho conjunto realizado pela APA da Serra da Mantiqueira com o Parque Nacional do Itatiaia, de formação das brigadas voluntárias de prevenção e combate a incêndios florestais, e que está aprovado para exposição no evento Wildfire 2019.

O Wildfire é uma conferência internacional sobre incêndios florestais, cuja edição de 2019 ocorrerá no Brasil, e que tem por um de seus principais objetivos, a troca de conhecimentos entre profissionais de diversas nacionalidades ligados ao manejo do fogo e ao controle de incêndios florestais.  

A 1ª edição do Wildfire ocorreu em 1989, na cidade de Boston nos EUA. Desde então, já ocorreram outras 5 edições, sendo que a última foi no ano de 2015 em Pyeongchang, Coréia do Sul.

Essa edição no Brasil, ocorrerá no período entre os dias 28/10 e 04/11, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande (MS).  

Segue captura de imagens da matéria que trata do assunto:








Maiores informações a cerca do evento podem ser encontradas em :

https://www.ibama.gov.br/wildfire2019


sexta-feira, 31 de maio de 2019

Parque Nacional do Itatiaia publica nota a respeito de aceiros negros na parte alta do Parque

Texto original de autoria de Marcelo Motta 
Analista Ambiental ICMBIO/PNI 
Gerente de Fogo do PNI



No mês de maio de 2019 o Parque Nacional do Itatiaia, através de sua brigada de prevenção e combate aos incêndios florestais, executou os aceiros negros (faixa no terreno, com largura variável, onde a vegetação é queimada para formar uma barreira à propagação do fogo no caso de ocorrência de incêndios florestais) entre as bacias hidrográficas dos rios Campo Belo, Aiuruoca e Preto, ação prevista no Plano de Manejo Integrado do Fogo - PMIF da unidade de conservação, e uma das estratégias complementares à supressão do fogo nas áreas de campos de altitude. Segundo o Analista Ambiental e Gerente do Fogo Marcelo Motta, “os aceiros negros possuem a função de aumentar a probabilidade de controle de incêndios florestais dentro das bacias hidrográficas do Planalto do Itatiaia, ou seja, um possível incêndio que se inicie na bacia do rio Campo Belo não se propague para a bacia do rio Aiuruoca e/ou do rio Preto e vice-versa, fato que ocorre historicamente quando se tem incêndios no Planalto do Itatiaia. Além disso, diante da vulnerabilidade dos campos de altitude frente às alterações climáticas, há necessidade de se conhecer o papel ecológico do fogo na conservação dessa fisionomia que é uma das mais raras no país, com alto número de espécies endêmicas e ameaçadas, mas que possuem espécies propensas e que facilitam a propagação do fogo. Nos aceiros negros, estamos monitorando os efeitos do fogo em alvos de conservação pré-definidos em conjunto com instituições de ensino e pesquisa, com o objetivo de gerar conhecimento e ter maiores subsídios para as ações de manejo dos campos de altitude.”


As instituições que estão desenvolvendo pesquisas associadas às ações de Manejo Integrado do Fogo no Parque nacional do Itatiaia são: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, Universidade Federal de Lavras – UFLA, Universidade Federal Fluminense – UFF, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP Rio Claro, Instituto Butantan e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Programa de Queimadas) – INPE.


Diante das inúmeras mensagens que circularam nas redes sociais e grupos de whatsApp na noite do dia 28 relatando a existência de fogo no Parque Nacional, Gustavo Tomzhinski, Analista Ambiental e Chefe do Parque, destaca “foi muito bom saber que os moradores do entorno do Parque estão atentos aos focos de fogo na região. A detecção foi bem rápida e mostra que temos praticamente um sistema de detecção e monitoramento de incêndios florestais em conjunto com a sociedade local, uma das ações previstas no Plano de Manejo.”



Para quem quiser saber mais, no mês de julho estão planejadas visitas orientadas às áreas manejadas com fogo, com acompanhamento de membros da equipe do Parque e de pesquisadores associados. O cronograma será divulgado em breve no site.



Lembrete importante: caso observem focos de incêndios na região, por favor, informem as instituições responsáveis o mais rápido possível. A natureza agradece.



Foto 01. Equipe envolvida nos trabalhos do aceiro negro entre as bacias dos rios Campo Belo e Aiuruoca, composta por brigadistas e pesquisadores associados (Crédito: Heber Passos (Programa de Queimadas – INPE)).


Foto do Planalto do Itatiaia, visão da Região de Visconde de Mauá, que circulou nas redes sociais e grupos na noite do dia 28 de maio. O foco em questão era a execução do aceiro negro entre as bacias dos rios Aiuruoca e Preto.


Detalhe mostrando a execução do aceiro negro entre as bacias dos rios Aiuruoca e Preto. O fogo é utilizado sob condições ambientais e técnicas que resultam em um fogo de baixa intensidade (Crédito: Acervo da brigada 2019)



Execução do aceiro negro entre as bacias dos rios Campo Belo e Aiuruoca. Ao fundo, Asa de Hermes e maciço das Agulhas Negras. (Crédito: Edinaldo Gomes)


Para acesso à publicação original clique sobre o link abaixo: 








sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Questão de Combate a Incêndios na APA da Serra da Mantiqueira (APASM)


Com a aproximação de uma nova temporada de incêndios na Mantiqueira, o Blog relembra tópico apresentado na última reunião do CONAPAM em 2015, no município de Cruzeiro. Naquela ocasião o assunto foi conduzido pelo então chefe da APASM, Julio Botelho.

O ano de 2015 foi marcado por condições desfavoráveis impostas por cortes orçamentários determinados pelo governo federal, o que levou a uma decisão de que não houvesse contratação de brigadistas de incêndio. A recomendação foi revertida depois de passados dois meses da temporada de incêndios, devido aos argumentos da APA da Serra da Mantiqueira constantes na Nota Técnica nº 11/2015, resultando em um prazo de contratação de quatro meses, ao invés dos usuais seis meses.

O treinamento dos brigadistas ocorreu em Passa Quatro com a formatura de um efetivo de 15 pessoas. Destes, 14 foram contratados. As condições de cortes orçamentários não permitiram a formação de novos voluntários (em 2014 haviam sido formados 4), e nem de proprietários rurais e seus representantes (em 2014, foram formados 3).

A APASM, que normalmente mantinha um esquadrão com 7 brigadistas, foi autorizada a trabalhar com dois esquadrões. Enquanto que a FLONA (Floresta Nacional) de Passa Quatro, que possuía dois esquadrões, perdeu um.

Ilustração que mostra os municípios incluídos na pronta resposta do raio de ação de 50 km da sede da APASM. Para melhor visualização, clique sobre a imagem.

Os esquadrões da APASM, por uma questão prática de efetividade, atuam como pronta resposta dentro de um raio de ação de 50 km da sede da APA em Itamonte. Os demais municípios contidos na área da APASM acabam sofrendo de uma deficiência no que diz respeito a efetividade de um apoio da APASM no combate a incêndios, uma vez que, nestes casos, há necessidade de preparação da logística de alimentação e abrigo para os brigadistas, o que nem sempre é possível. Quando estas premissas são atendidas há a atuação da brigada APASM como foi no caso do apoio ao incêndio no Parque Estadual de Campos do Jordão (2014).

Em 2015 houve um total de 19 registros oficiais de incêndios na área de ação da brigada, o que é uma incidência considerada muito baixa para os padrões normais. Especula-se que este número “modesto” explica-se devido ao inverno chuvoso (não houve período mais longo do que 18 dias corridos sem chuvas) e à grande incidência de incêndios no ano de 2014, que teria reduzido a quantidade de material combustível para queimar no ano de 2015. 


O gráfico de incêndios por ano é referente a toda área da APA da Serra da Mantiqueira e indica a tendência de diminuição do número de incidências após um ano de grande incidência de fogo.
Para melhor visualização, clique sobre a imagem.

Principais deficiências apontadas no trabalho de combate a incêndios na APASM:

  • O atraso com que o alerta de fogo chega à sede da APA – Este problema pode ser resolvido através da nomeação de pontos focais nas comunidades e municípios, que ficariam encarregados de fazer o contato com a APA.
  • Rádios para comunicação – Em 2015 a APASM recebeu através de acordos de compensação, dois aparelhos de rádio, para instalação em seus veículos, e uma unidade de mesa. É necessário acordo com o Ministério Público para que sejam indicados mais equipamentos já para o ano de 2016.
  • Quando um novo brigadista é formado, apesar de ele vir com o conhecimento técnico para o desempenho da função, ele carece de experiência de campo.
  • Ausência de uma integração de ações entre as brigadas de UCs e municípios da APA.


Ações que representariam um avanço na questão de combate a incêndios na APASM:

  • Aumento do efetivo de combatentes com a criação de brigadas municipais e dos sindicatos rurais
  • A criação de uma rede de comunicação abrangente em todo o território da APASM, áreas de preservação, unidades de conservação, zonas urbanas e áreas rurais.
  • Melhorias na logística de combate: quem vai combater aonde, que horas que vai chegar, quem vai chegar primeiro, se vai haver combate noturno, determinação de pontos focais nos locais de ocorrência, questões de alojamento e alimentação.
  • Ações de educação ambiental na tentativa de diminuir o número de incidências através da conscientização. Uma das maiores causas dos grandes incêndios é a renovação de áreas de pastagem. 


Talvez os municípios mostrados no gráfico a seguir devessem ter prioridade no que diz respeito a um trabalho de conscientização.
Para melhor visualização, clique sobre a imagem


Panorama para o ano de 2016:

Agora, maio de 2016, já há informes de queimadas ocorrendo pelo Vale do Paraíba mas por enquanto, nas áreas altas da APA as coisas ainda estão quietas.

Porém, as incertezas são as mesmas do ano passado: Para o ano de 2016 os esquadrões de brigadas de combate a incêndio florestais foram reduzidos de 7 para 5 elementos (1 chefe e quatro brigadistas), tanto a APA da Serra da Mantiqueira como a FLONA Passa Quatro foram contempladas cada uma com dois esquadrões, que já foram treinados na semana de 16 a 20/05 e aguardam autorização de contratação. As duas unidades já foram avisadas pela Coordenação de Emergências Ambientais – COEM do ICMBio que não estão autorizadas as contratações a partir de 01° de junho, como era o usual.

Semana passada, em reunião do CONPEPS (Conselho do Parque Estadual da Pedra Selada), em Visconde de Mauá, o representante do PNI (Parque Nacional do Itatiaia) leu o seguinte informe:

"A brigada de prevenção e combate aos incêndios florestais do PNI, para o ano de 2016, sofreu redução de 50% de seu quantitativo, possuindo apenas 1 brigadista na região de Visconde de Mauá. Neste sentido, a ação dos guarda-parques do PESP se torna fundamental para as ações de prevenção e controle dos incêndios na região de Visconde de Mauá. Dificilmente o PNI conseguirá apoiar ações de controle este ano na região".